Quando, seu moço nasceu meu rebento, não era o momento dele rebentar...Já foi nascendo com cara de fome e eu não tinha nem nome prá lhe dar... Como fui levando não sei lhe explicar, fui assim levando, ele a me levar...E na sua meninice, ele um dia me disse que chegava lá...Olha aí! Ai o meu guri, olha aí!É o meu guri e ele chega! Chega suado e veloz do batente traz sempre um presente prá me encabular, tanta corrente de ouro, seu moço!Que haja pescoço prá enfiar...Me trouxe uma bolsa já com tudo dentro, chave, caderneta, terço e patuá, um lenço e uma penca de documentos prá finalmente eu me identificar...Olha aí! Ai o meu guri, olha aí! É o meu guri e ele chega! Chega no morro com carregamento, pulseira, cimento, relógio, pneu, gravador...Rezo até ele chegar cá no alto...Essa onda de assaltos tá um horror...Eu consolo ele, ele me consola, boto ele no colo prá ele me ninar, de repente acordo, olho pro lado e o danado já foi trabalhar...Olha aí!Ai o meu guri, olha aí! É o meu guri e ele chega! Chega estampado, manchete, retrato, com venda nos olhos, legenda e as iniciais...Eu não entendo essa gente,Seu moço!Fazendo alvoroço demais...O guri no mato, acho que tá rindo, acho que tá lindo, de papo pro ar, desde o começo eu não disse,Seu moço! Ele disse que chegava lá...Olha aí!Ai o meu guri! E o meu guri!...
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
O Meu Guri (Chico Buarque)
Quando, seu moço nasceu meu rebento, não era o momento dele rebentar...Já foi nascendo com cara de fome e eu não tinha nem nome prá lhe dar... Como fui levando não sei lhe explicar, fui assim levando, ele a me levar...E na sua meninice, ele um dia me disse que chegava lá...Olha aí! Ai o meu guri, olha aí!É o meu guri e ele chega! Chega suado e veloz do batente traz sempre um presente prá me encabular, tanta corrente de ouro, seu moço!Que haja pescoço prá enfiar...Me trouxe uma bolsa já com tudo dentro, chave, caderneta, terço e patuá, um lenço e uma penca de documentos prá finalmente eu me identificar...Olha aí! Ai o meu guri, olha aí! É o meu guri e ele chega! Chega no morro com carregamento, pulseira, cimento, relógio, pneu, gravador...Rezo até ele chegar cá no alto...Essa onda de assaltos tá um horror...Eu consolo ele, ele me consola, boto ele no colo prá ele me ninar, de repente acordo, olho pro lado e o danado já foi trabalhar...Olha aí!Ai o meu guri, olha aí! É o meu guri e ele chega! Chega estampado, manchete, retrato, com venda nos olhos, legenda e as iniciais...Eu não entendo essa gente,Seu moço!Fazendo alvoroço demais...O guri no mato, acho que tá rindo, acho que tá lindo, de papo pro ar, desde o começo eu não disse,Seu moço! Ele disse que chegava lá...Olha aí!Ai o meu guri! E o meu guri!...
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